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Relatório: Aquecimento
Global e Agricultura - Projeto Embaixada
Britânica
Apresentação:
O mais recente relatório
do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas) prevê que a produção de alimentos em
todo o mundo pode sofrer um impacto dramático
nas próximas décadas por conta das mudanças
climáticas provocadas pelo aquecimento global.
Segundo os cientistas do painel, o aumento da
temperatura ameaça o cultivo de várias plantas
agrícolas e pode piorar o já grave problema da
fome em partes mais vulneráveis do planeta.
Países pobres da África e da Ásia seriam os mais
afetados, mas grandes produtores agrícolas, como
o Brasil, também sentiriam os efeitos, já na
próxima década.
As estimativas para o
Brasil estão sendo corroboradas pelo presente
trabalho, conduzido por pesquisadores da Embrapa
e da Unicamp. Especialistas em Zoneamento de
Riscos Climáticos, política pública que hoje
norteia o financiamento agrícola do país, a
equipe já estava acostumada a avaliar como o
clima atinge a agricultura no seu dia-a-dia.
Secas e geadas fora de hora podem arruinar uma
safra, mas com o zoneamento foi possível antever
quais áreas seriam menos suscetíveis a esses
problemas de modo a aproveitá-las para o
plantio. Para os próximas décadas, no entanto,
as mudanças do clima devem ser tão intensas a
ponto de mudar a geografia da produção nacional.
Municípios que hoje são grandes produtores
poderiam não ser mais em 2020.
Há algum tempo, parte
desses pesquisadores começou a estudar como o
aquecimento global alteraria a atual
configuração agrícola do país. A primeira
cultura avaliada, ainda em 2001, com base no
relatório do Painel Intergovernamental de
Mudanças Climáticas divulgado naquele ano, foi o
café arábica. Já ali se percebia que o
aquecimento global poderia deslocar para o Sul e
também reduzir a área de baixo risco para seu
plantio. Agora a planta volta a ser objeto de
estudo juntamente com outras oito culturas
(algodão, arroz, cana-de-açúcar, feijão,
girassol, mandioca, milho e soja), além das
pastagens e gado de corte, confirmando, em
escala municipal, os resultados anteriores.
Os pesquisadores
observaram que o aumento de temperatura pode
provocar, de um modo geral, uma diminuição no
Brasil de regiões aptas para o cultivo dos
grãos. Com exceção da cana e da mandioca, todas
as culturas sofreriam queda na área de baixo
risco e, por conseqüência, no valor da produção.
O assunto é polêmico, e vem provocando
discussões acaloradas em todas as rodas técnicas
e científicas.
Mas vale a pena lembrar
que isso só ocorrerá se nada fosse feito em
termos de mitigação e adaptação. Está nas mãos
do agronegócio adotar formas de manejar melhor o
solo para reduzir as emissões de gases de efeito
estufa ou mesmo para seqüestrar da atmosfera o
gás carbônico já presente em taxa elevada. É
claro que novas variedades adaptadas às
condições mutantes serão criadas. Pesquisas
voltadas para o setor permitiram nas últimas
décadas que o país aumentasse significativamente
a produtividade agrícola, colocando o Brasil em
uma posição de liderança mundial. Agora o mesmo
pode ser feito para combater o aquecimento
global. A agricultura brasileira poderá então
contribuir para reduzir o problema.
Fonte:
CEPAGRI – Centro de Pesquisas Meteorológicas e
Climáticas Aplicadas à Agricultura |